Médicos americanos "criam" orelha no braço de paciente que teve câncer
Paciente do Johns Hopkins havia perdido parte do aparelho auditivo por um câncer agressivo. Ela teve cartilagem da costela implantada em seu antebraço por quatro meses
Cartilagem foi irrigada por vasos sanguíneos por quatro
meses antes de ser removida do antebraço e implantada como nova orelha
esquerda da paciente
(Johns Hopikins)
Será apresentado na próxima semana o resultado da mais complexa
reconstituição de orelha já realizada nos Estados Unidos, segundo o
hospital Johns Hopkins. Desde meados de 2010, a gerente comercial
Sherrie Walter, de 42 anos, enfrentou seis cirurgias para recuperar sua
orelha esquerda, que havia sido perdida numa operação para remover um
câncer de pele já em estado bastante agressivo. Ao invés de usar
prótese, os médicos do hospital fabricaram uma nova orelha dentro do
próprio corpo de Sherrie, mais precisamente no seu antebraço.
Em 2008, ela foi diagnosticada com carcinoma basocelular (câncer de
pele). A princípio, o tumor foi controlado com radioterapia e monitorado
por biópsias. Dois anos depois, no entanto, um sangramento na orelha
esquerda revelou que a doença tinha voltado e se espalhado por outras
áreas. Uma intervenção removeu a pele e cartilagem da orelha e os
gânglios linfáticos. "Eu não sabia o quão agressivo o carcinoma podia
ser", disse a americana ao site do hospital Johns Hopkins.
Provavelmente, a agressividade do câncer de Sherrie se deve a um
diagnóstico tardio.
Pré-fabricado — Superada a cirurgia, Sherrie passou a
se preocupar com os diferentes tratamentos de reconstituição facial. Uma
das possibilidades era uma prótese convencional removível. Ao site do
canal americano ABC, ela conta que não suportava a ideia de acordar e
encaixar uma orelha protética todos os dias. Foi então que o doutor
Patrick Byrne, diretor da Divisão de Plástrica Facial e Cirurgia
Reconstrutiva do Johns Hopkins, colocou uma nova carta na mesa:
reconstituição a partir dos tecidos vivos de Sherrie, técnica conhecida
por retalho pré-fabricado.
Normalmente, a pele mais recomendada para esse tipo de recuperação é a
da face ou do pescoço, pela similaridade com o tecido que cobre a
orelha. O problema é que, no caso de Sherrie, essa opção foi descartada
porque ela já havia perdido pele nessas áreas.
A solução encontrada foi gestar a nova orelha dentro do antebraço da
norte-americana. Num primeiro momento, a equipe do doutor Byrne moldou a
nova orelha a partir da cartilagem de uma das costelas de Sherrie. Em
seguida, a estrutura foi implantada no antebraço da paciente, de modo
que os vasos sanguíneos na pele nutrissem e irrigassem a estrutura.
O período da 'gestação' foi de quatro meses e, em seguida, a nova
orelha, agora revestida com a pele do antebraço, foi reimplantada. "Como
os novos tecidos são da própria paciente, não haverá problemas com
rejeição da orelha implantada", disse ao site de VEJA o doutor Byrne.
Desde então, os médicos têm trabalhado nos detalhes estéticos, para
deixar a orelha o mais parecido possível com a da direita. Em uma
semana, o resultado final do tratamento, que já dura 20 meses, será
apresentado.
VEJA
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